O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quinta-feira (28) que a vigilância sobre as fintechs, empresas que utilizam tecnologia para facilitar serviços financeiros, tem sido crucial para o enfrentamento do crime organizado em níveis superiores, focando na parte financeira que sustenta essas atividades ilícitas. Durigan enfatizou a importância de restringir o fluxo financeiro que alimenta essas organizações. "Estamos empenhados em intensificar o combate ao crime organizado de forma eficaz, aplicando a asfixia financeira. Essas fintechs foram identificadas a partir das informações que a Receita Federal começou a coletar em meados de 2025, e também detectamos irregularidades relacionadas a criptoativos", afirmou o ministro durante uma coletiva de imprensa.
Nesta mesma manhã, o grupo de atuação e combate ao crime organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, deu início a uma nova etapa da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. A operação, chamada de "Fluxo Oculto", teve como foco principal empresários, operadores logísticos e laranjas envolvidos no esquema, que, segundo as apurações, continuaram suas atividades mesmo após ações policiais anteriores, indicando um alto nível de organização.
A operação resultou na execução de aproximadamente 60 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Em um dos casos, foram detectadas operações de 56 postos de combustíveis realizadas através de uma única conta. Além disso, os investigados têm transferido recursos entre diversas fintechs e criado novas empresas para substituir aquelas que já haviam sido expostas.
Dario Durigan lembrou que a supervisão mais rigorosa das fintechs foi reiniciada em agosto do ano passado, após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, que visa combater a presença do crime organizado no setor de combustíveis. "Esta nova fase da Carbono Oculto foi possível graças às operações da e-Financeira, que haviam sido interrompidas temporariamente por deputados e influenciadores", comentou o ministro. A e-Financeira é um sistema da Receita Federal que compila dados sobre transações financeiras de pessoas físicas e jurídicas, servindo como ferramenta de fiscalização.
Ministro da Fazenda diz que monitoramento de fintechs permitiu combater crime organizado no 'andar de cima'
Nova fase da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis, mirou nesta quinta-feira (28) empresários, operadores logísticos e laranjas.