Um relatório da Polícia Civil de São Paulo investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a advogada e influenciadora Deolane Bezerra e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso começou quando Dayanne Bezerra Santos, irmã de Deolane, tentou sacar R$ 1 milhão em uma agência do Itaú, mas teve a operação negada devido a suspeitas de irregularidade. Em resposta a esse episódio, Deolane decidiu processar o banco.

Nesta quinta-feira (21), Deolane Bezerra foi detida em sua residência em Barueri, Grande São Paulo, em uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil. Um mandado de prisão também foi emitido contra Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder da facção criminosa, que já se encontra preso, além de familiares dele.

O incidente ocorreu no dia 24 de novembro de 2023. Os investigadores relataram que os funcionários do banco impediram o saque por considerarem a operação incomum, o que gerou desconfiança de que poderia ser uma tentativa de lavagem de dinheiro. Dayanne afirmou que o valor seria destinado à compra de um imóvel, mas recusou uma proposta do banco para realizar a transação via transferência eletrônica, que permitiria o rastreamento dos fundos.

Após o incidente, o Banco Itaú deu a Deolane e seus familiares até 14 de janeiro para encerrar suas contas. De acordo com informações levantadas pela polícia, Deolane tinha cerca de R$ 10 milhões aplicados na instituição, e a recusa em sacar o valor motivou a influenciadora a ingressar com uma ação judicial contra o banco.

As investigações indicam que a movimentação financeira da família Bezerra apresenta discrepâncias significativas, com Deolane tendo movimentado mais de R$ 7,6 milhões, enquanto declarou apenas R$ 577 mil em seu Imposto de Renda, resultando em uma diferença de mais de R$ 6,5 milhões. O relatório sugere que tanto Dayanne quanto sua mãe, Solange Bezerra, realizam transações mensais que somam milhões, o que, segundo os investigadores, não condiz com suas rendas formalmente declaradas.

Dayanne, sócia de Deolane na Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda, foi mencionada como parte central do suposto esquema de lavagem de dinheiro. A defesa de Deolane, em declarações anteriores, negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas, sustentando que o patrimônio da família provém de seu trabalho legítimo e de suas atividades nas redes sociais. Em postagens, Deolane chegou a zombar das suspeitas de suas ligações com o crime organizado.

A investigação também revelou uma conexão com uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau (SP), que estaria sendo usada para ocultar a origem dos recursos. Deolane, que passou as últimas semanas em Roma, retornou ao Brasil um dia antes de sua prisão. A operação incluiu mandados de busca e apreensão em sua residência e em outros locais relacionados a ela.

Além de Deolane, Everton de Souza, conhecido como Player, foi preso por ser considerado o operador financeiro do esquema. Outros alvos da operação incluem membros da família de Marcola, como seu irmão Alejandro Camacho e seus sobrinhos. A investigação resultou em seis mandados de prisão e ordens de busca e apreensão.

Os advogados dos envolvidos ainda não se manifestaram amplamente sobre o caso, e as autoridades estão em processo de bloqueio de veículos e valores significativos relacionados aos investigados. As ligações entre Deolane e Marcola são centrais para a investigação, que continua a se desenrolar à medida que novas evidências são coletadas.