A dedicação à preservação do Lago de Furnas, situado no Sul de Minas, tem atraído a atenção de diversos habitantes que buscam transformar pequenas ações em grandes contribuições para o meio ambiente. Escoteiros, mergulhadores e voluntários estão se unindo para proteger esse importante reservatório, e essa mobilização é impulsionada pela conscientização e pelo exemplo.
Um dos grupos ativos nessa causa é o dos escoteiros Guardiões do Lago, localizado em Guapé. O presidente Rafael Amaral explica que a iniciativa teve origem no próprio movimento escoteiro, motivada pelo amor à natureza e pela proximidade com o lago. “Viver perto do Lago de Furnas nos fez perceber que poderíamos fazer mais por ele. Nosso objetivo é sempre nos tornarmos pessoas melhores, fazendo o possível para conscientizar os outros”, destaca.
Esse grupo já esteve ativo entre 2003 e 2006, depois de 2011 a 2014, e retomou suas atividades em 2023. Hoje, é composto por oito adultos e 20 jovens, com idades entre 6 e 15 anos. Eles realizam diversas ações, incluindo mutirões de limpeza nas margens, campanhas de conscientização ambiental, orientações a turistas e moradores, plantio de árvores e soltura de alevinos de espécies nativas.
Essas iniciativas, segundo Amaral, não apenas promovem a preservação imediata, mas também são fundamentais para a construção de uma consciência ambiental. “Ao perceber que pequenas ações podem fazer uma grande diferença, nos tornamos mais responsáveis com tudo que envolve a natureza”, afirma. O grupo não se limita a recolher lixo ou plantar árvores; sua missão é inspirar outras pessoas. A educação ambiental se dá no dia a dia, com atitudes simples que geram mudanças significativas.
“Conversamos com crianças e pais, participamos de eventos. Muitas vezes, só de ver nosso trabalho, as pessoas já mudam suas atitudes”, explica Rafael. Para o grupo, um dos momentos mais gratificantes é quando conseguem observar esse impacto em outras pessoas. “É muito especial quando alguém nos diz que começou a cuidar mais do lago por causa do nosso exemplo”, relata.
No entanto, os desafios permanecem. Dentre os problemas mais críticos estão o lixo acumulado nas margens, a falta de conscientização e a poluição da água, em grande parte devido à ausência de tratamento de esgoto. “Pequenas atitudes causam grandes impactos no lago”, alerta Amaral.
Enquanto os problemas nas margens são evidentes, a situação subaquática também é preocupante. Em São José da Barra, o instrutor de mergulho Roberto Obvioslo tem promovido ações de limpeza subaquática e monitoramento ambiental, que revelam um cenário alarmante. “Encontramos muito sinal de poluição. Em algumas áreas, conseguimos retirar caçambas de lixo”, relata, mencionando a presença de latas, garrafas e plásticos no fundo do lago.
Além dos resíduos, os mergulhadores estão notando o surgimento de uma nova bactéria que se fixa nas pedras, formando manchas. “Já encontramos essa bactéria em vários locais onde mergulhamos. Estou buscando um biólogo para entender melhor o que é isso”, explica.
Essas atividades fazem parte de um projeto ambiental que, ao longo do tempo, tem recebido apoio de patrocinadores e do poder público, evidenciando a importância de esforços conjuntos para enfrentar os problemas. Os escoteiros, mergulhadores e voluntários dedicam suas energias à proteção desse grande reservatório.
Para os Guardiões do Lago, o trabalho está apenas começando. Eles planejam ampliar a participação da comunidade e envolver ainda mais pessoas na causa. “Ser escoteiro é estar sempre pronto para servir. Cuidar do meio ambiente faz parte disso”, afirma Rafael. O grupo vê a proteção do lago como uma responsabilidade coletiva. “Ser um guardião das águas é cuidar, proteger e respeitar a natureza. O lago é um bem de todos, e depende de nós para continuar saudável”, conclui.
'Guardiões das águas': quem são os mineiros que dedicam a vida a proteger o Lago de Furnas, em MG
Ações de limpeza, educação ambiental e monitoramento subaquático revelam desafios e mobilizam moradores em defesa do Lago de Furnas.