Maria Pinto da Silva, carinhosamente chamada de Dona Iaiá, celebrou seu centenário no último dia 3 de maio, rodeada por familiares e imersa em suas crenças e reminiscências. Natural de Aparecida, no Piauí, e residente em Alvorada do Tocantins, ela se destaca pela clareza mental, autonomia e energia.

Para Dona Iaiá, o caminho para uma vida longa é bastante direto: “Rezar e ter fé em Jesus”, revelou em entrevista. Uma devota fervorosa, ela assiste a missas quase diariamente, seja presencialmente ou pela televisão.

Mesmo aos 100 anos, Dona Iaiá ainda conduz parte de sua rotina com autonomia. “Estou me alimentando muito bem, como com minhas próprias mãos e vou ao banheiro sozinha”, compartilhou.

Atualmente, ela vive com seu filho Antônio Pinto da Silva, de 82 anos. Ao refletir sobre sua trajetória, Dona Iaiá recordou as dificuldades que enfrentou ao longo dos anos. “Tive oito filhos, mas apenas criei os dois primeiros”, comentou.

Sua história é marcada por fé e resiliência. Ela enfrentou a perda de seis filhos antes de nascer, além da morte do marido, Damião Barbosa, e de um dos filhos. Apesar dessas tragédias, construiu uma família grande, que inclui 14 netos, 30 bisnetos e sete trinetos.

De acordo com os familiares, Dona Iaiá sempre encontrou apoio na religiosidade e nas interações sociais. Sua neta Almerinda destacou que, mesmo com a idade avançada, ela continua ativa e muito próxima da família. “Ela é bastante lúcida e independente, faz as coisas quase sozinha”, afirmou.

A neta também ressaltou que Dona Iaiá adora participar de reuniões familiares, receber visitas e orar por todos os membros da família diariamente. “Ela reza de manhã, depois do almoço e à noite, incluindo todos nas suas orações. Quando não se lembra dos nomes, diz ‘os que estão mais longe e os que estão mais perto’. Ninguém escapa de suas preces”, contou Almerinda.

Junto ao marido, Dona Iaiá também se envolveu em festas populares, como a Folia de Reis. Enquanto Damião tocava rabeca, ela cantava e tocava zabumba durante as festividades que duravam a noite toda. “Cantava e batia na caixa até o sol nascer”, recordou. Segundo seus familiares, canções como 'Arrocha o Parafuso' marcaram gerações e tornaram o casal figuras queridas nas comunidades por onde passaram.

Dona Iaiá completou 100 anos no dia 3 de maio e, ao ser questionada sobre o que é necessário para atingir essa idade, reforçou a relevância de sua espiritualidade. “Basta rezar e ter fé em Deus”, destacou. Apesar de sua longevidade, ela mantém hábitos simples, aprecia assistir às missas diariamente e vive cercada pela família. “Apenas amar a Deus, com a ajuda Dele, é o que me faz ter fé e confiança”, concluiu.